sexta-feira, 12 de março de 2010

Dança do acasalamento


Dança do acasalamento



Fiquei meio reticente ao começar esse artigo. Antes de deixar aqui minhas impressões pessoais à cerca do que será exposto fui em busca de bases sólidas de informações para tal constatação: os livros.
Revirei páginas e mais páginas em busca de alguma afirmação contrária que jogasse por terra a minha idéia em prosseguir.
Acho que era um receio íntimo do que minhas impressões irão causar a quem me ler. No entanto, me sinto na necessidade de continuar.
Tenho observado com o correr dos anos, o “correr” assustador de informações, inovações à cerca do corre-corre diário o que existe mesmo que inconscientemente, mudanças comportamentais no indivíduo.
A globalização de mundos expandiu os espaços físicos entre as pessoas. O que antes era “nosso” agora é compartilhado com o mundo.
Em meio a toda essa gama de informações está o ser vivo, o “bicho homem” que em meio a essa expansão se sente perdido, e o pior, todos os dias é desafiado a prosseguir, mesmo sem saber para onde vão.
Estamos em crise, eu afirmo. Crise de identidade, crise de entendimento de si mesmo e principalmente crise de entendimento do outro, definitivamente não nos entendemos mais. Estaríamos vivendo em uma torre de babel?
O que falta para trazermos de volta todo lirismo do relacionamento a dois?
Essa vida corrida onde tudo tem que ser resolvidos com a mesma velocidade que a velocidade da luz nos deixou fugazes, práticos e porque não insensíveis.
Aquela coisa da conquista, de ficar dias conversando, se conhecendo, diria até vulgarmente falando a “dança do acasalamento” não existe mais, o cortejo sereno quase que inocente.
Estaria eu sendo excessivamente romântica?
Até que alguns diriam: aquela ali parou no tempo.
Pode ser. Mas convenhamos é maravilhoso aquele namoro no portão, aquela época em que um olhar traduzia todo um sentimento.
E o que fazer em meio a essa nova forma do “amor prático?” Nos adaptarmos jogando por terra nossos dogmas e preceitos ou tentarmos a todo custo reverter esse quadro caótico do relacionamento e trazer de volta os áureos tempos.
Esse desenfreado de andar do tempo trouxe junto com ele três leões vorazes: a solidão, a tristeza e a dor.
Tenho observado pessoas falando sempre a mesma coisa: estou só
Em sentidos práticos ouvi muitas dizerem: quando vamos para a cama no primeiro encontro somos consideradas “fáceis” se não vamos, colocando em prática o plano do conhecimento do outro, ou como falei anteriormente a “dança do acasalamento” eles caem fora no segundo passo da dança. Diria até que alguns nem tem tempo para a conquista de almas, como desbravadores vorazes querem tão somente a conquista de corpos. A alma bela, sensível e inteligente da mulher que se lixe.
E o que fazermos diante dessa queda de braço? Deixar-se levar pela mão da solidão ou se adaptar aos novos mecanismos de um relacionamento volúvel e sem muitas possibilidades de chegar ao segundo passo da dança?
Eu particularmente ainda acho viável continuarmos tentando, quem sabe um dia chegaremos ao final da dança felizes e com a certeza de que valeu a pena a espera e a conquista de um bom par para a dança do acasalamento.

Rosane Silveira

(proteja os direitos da autora)

8 comentários:

va disse...

É amiga.
Desde que o mundo é mundo,uai! Que dancinha mais difícil essa, né não? Pra começar, pra terminar, pra agradar...
Mas, como sempre, vc faz da caneta uma batuta e dirige as palavras com maestria pra gente dançar no seu artigo coerente.

Leo Lobos disse...

Mis saludos desde Santiago de Chile

abrazo afectuoso y fraterno

Leo Lobos

Kedma O'liver disse...

é...a dança do acasalamento ficou tão banal que não existe mais a afinidade entre os corações e a alma, apenas atração sexual, como nos animais no cio e isso vulgarizou o amor de uma forma tão baixa que os romanticos e sentimentais se tornaram pessoas demodê e ultrapassados...prefiro
a antiguidade que essa modernidade
vulgar.
parabens ´pelo lindo texto menina.

£µ(g)ä® disse...

Olá fada Rose

O que dizer do seu questionamento que acredite, muito, não é solitário. Penso nisso sempre. Uso até aquela palavra simpatica , "cortejar"...Gosto muito da idéia de ser cortejada, de sim, haver essa dança de músicas que tocam fundo...naquela parte nossa pulsante....o coração. E isso demanda um tempo. Um tempo onde a qualidade subjugue a quantidade. Senão seremos apenas cadáveres relacionando-se com cadáveres, defuntos em busca de defuntos.(mortos não sentem), apenas VIVOS detêm desse sentir pleno... O Amor é para os vivos...


Meu carinho de sempre
E acredite Rose, o tempo é mais nosso amigo, do que o contrario. E mesmo que tu esperes anos por alguém que vai fazer de cada segundo uma eternidade toda de amor e vida plenos, terá valido mais a pena do que passar neste mundo em uma existencia feita de sepulcro...Sim, bonitos por fora, mais tu sabes o que vai dentro: mortos...


Cuide-se
E Desse coração de ouro também,

Carlos Rímolo disse...

Querida amiga Rosane!
Muito interessante e oportuno seu texto. Eu me considero um cara sensível e extremamente romântico, penso como você. Adoro trabalhar na conquista de uma mulher. Presenteá-la com flores, um jantar à luz de velas, tocar suas mãos, sentir o calor do seu corpo numa dança e muito mais.
Mas hoje, os tempos são outros, não temos como modificá-lo. Os jovens já têm uma cabeça mais prática e, sexo é a bola da vez.
Pessoas como eu e você, já está se tornando rara. Figurinhas carimbadas.
Beijos poéticos e de luz em teu coração!
POETA CIGANO - 12/03/2010
carlosrimolo.blogspot.com

Fanuel Sambista disse...

O que eu posso dizer sobre isso?

A vida é uma eterna dança

O acasalameto que tá meio louco

Tipo um pulo, do Tango ao Funk.

GUERREIRO DA LUZ-Edu Sol disse...

TEXTO SÁBIO E VERDADEIRO!

Perdemos as rédeas da família. Ponto de partida para o amor e o respeito! Se na vida familiar não existe o respeito e o amor, também, não existe mais a orientação dos filhos no sentido de cultivar o amor com romantismo. Os exemplos hoje que passamos para os jovens é de liberdade total. Isso através dos meios de comunicação, assim, como no meio familiar. Os pais não respeitam mais os filhos e os filhos não respeitam mais os pais e os mais velhos. A pureza da infância, aliás, essa praticamente não existe mais, é uma fase que foi suprimida da vida do ser humano. Como existir o romantismo se o ato sexual hoje é visto como pura realização fisiológica, quanto mais melhor!

kainhabrito disse...

nossa amei esse artigo a dança do acasalamento eu que o diga, não entro nessa vulgaridade somente de corpos sem sentimentos continuo sozinha assim prefiro, até que um belo dia quem sabe, deparo-me com aquele que or ventura virá a me cortejar? Assim deseja a minha alma. Parabéns!