segunda-feira, 10 de maio de 2010

Unificação (Poema à minha mãe)


Unificação

Foste um dia um embrião
e tal como o mistério da vida
foi crescendo no ventre de tua mãe
alimentou-se de seu amor
foi cuidada, com zelo e desprendimento

nasceu, linda e forte
e tal como era, cresceu
tornou-se uma menina
que de tão linda eterneceu
até os mais duros corações

Um dia tornou-se mulher
linda, faceira, feminina doce
ser que encantava aos homens
que por ti passava...

até que um dia um homem a fez parar
tremer, se apaixonar e então
a ele se uniu em amor, dedicação
e sua vida então completa se tornou
mas não ficou por ai era necessário

que a unificação com o criador se fizesse
completa, deu de ti o mesmo desprendimento
e amor que tua mãe, gerando em teu ventre
um novo amor, um ser que a ti se tornou tudo
de mais precioso que podia existir

e então fez-se a roda da natureza
mãe que gera mãe é a mais especial
das missões que Deus em sua sabedoria
sabia ser a maior das realizaçoes
que ele podia ter.

Unificou o ser.

Rosane Silveira

terça-feira, 4 de maio de 2010

Silêncio


Silêncio

...E foi feito um silencio
daqueles absolutos
quase pode se ouvir
o murmúrio triste do vento
que ia lá fora na noite escura
foi feito um silêncio, não um silencio triste
mas um silêncio de contemplação
do amor que ora se fazia
na noite que ia fria
depois de suspiros loucos de amor
os corpos silenciaram e ficou ali
na noite dois amores fundidos
na noite fria que se seguia
alheia ao fogo incessante do amor
que ardia naqueles corações
enamorados.

Rosane Silveira

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Quando o amor cala


Quando o amor cala

Nada foi dito nada...
os olhos deles não teriam mais o que dizer
mediante tanta beleza de se ver
olharam-se como que pela primeira vez
que viam tamanha beleza de corpos nus
sentiram-se e amaram-se com uma ternura intensa
e quando os olhos não mais puderam falar
choraram uma alegria nunca visto de saberem-se amados
e um êxtase pleno de vida se rompeu e gritou na noite
que ia enquanto eles silenciavam.

Rosane Silveira30042010

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Constatação


...e então
soprou dentro de mim
um vento de uma ternura intensa
e pude constatar com certa surpresa
- é amor

Rosane Silveira

Talvez


Não, não tem nada a ver com dor,
é um pouco...
só um pouco de tristeza no olhar
daquelas que escorrem pelo canto do olho
sem ninguém perceber.
É um aperto leve no peito quase que sem notar
talvez seja uma saudade de não sei o que
um amor que foi sem deixar rastros ou que chegou
sem que percebesse e se instalou trazendo com
ele a intranquilidade de um novo amor
talvez seja uma inquietante busca de mim que
que se perdeu por ai
talvez...

Rosane Silveira

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Dor


Não, não me falem hoje de amores
hoje meu coração está quebrado
amargurado, um tanto de tristeza em meu olhar
não me peçam um poema contente
talvez eu te dê um pouco de demência
daquela que hora ou outra me afronta
e me deixa assim...como estou
talvez quem sabe o roçar da asa de um anjo
me faça repensar um poema bom
ou não?
quero hoje a vida perdida, bandida, indecisa
alguns palavrões no canto da boca pronto pra explodir
em desalinhas palavras
quero um coração quebrantado não esse desarvorado
pronto pra implodir um choro triste
por favor, alguém me tire daqui dessa dor de mim!

Rosane Silveira

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Oração feita pelas vítimas da tragédia do RJ


A tragédia provocada pelas chuvas que caem no Estado do Rio ganhou contornos mais dramáticos com o deslizamento de cerca de 50 casas, na quarta-feira, no Morro do Bumba, em Niterói.

O Estado registra 182 mortos, mas o número pode dobrar. Segundo os bombeiros, cerca de 200 pessoas podem estar sob os escombros do deslizamento.

O prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira (PDT), decretou estado de calamidade pública. As chances de encontrar sobreviventes no Morro do Bumba, no Viçoso Jardim, são remotas.


Acolha-me ò Deus nesse momento de contemplação do teu amor
onde o mundo lá fora chora a dor do irmão
apazigua Senhor os corações atormentados pela dor
dá a cada um o conforto do teu amor

Aconchega junto a teu peito aqueles que daqui se foram
atordoados pela dor de se ir assim de forma imediata
arrebatados pela avalanche de tristeza e dor
vidas ceifadas de forma torpe rompendo laços de muitos amores

Hoje mãe choram seus filhos, pais suas filhas
mulheres seus maridos e avós e avôs seus netos
tranquiliza Senhor esse coração atordoado
por ainda não saber o que se passa

Ó Deus de compaixão toma em tuas mãos essa nação
fragelos humanos tem acontecido, casas indo por água abaixo
lares desfeitos pela ação do homem corrompendo o seio da terra
desequilibrando o mundo em ascensão rumo ao teu amor.

Senhor tende piedade de nós.

Rosane Silveira

terça-feira, 6 de abril de 2010

Aquietei


Hoje me aquietei, vendo a chuva cair
torrente de águas lavaram minha alma
de tantas emoções desvairadas
não estava nem triste nem alegre
apenas precisava parar, olhar em volta,
olhar a vida e ficar
deixei fluir, deixei levar, deixei-me ir
guiando-me pelo amor que me leva
sussurrei ao vento uma canção de ninar
pedi afago a nuvem fofa do céu
e fiquei ali paradinha...vendo a vida seguir.

Rosane Silveira

terça-feira, 30 de março de 2010

Tempo


Tempo

Existe um tempo
e esse tempo é teu
e também é meu
por ser do mundo
tempo que vai
tempo que vem
tempo de ver
de rever
tempo de ir além
tempo de ser

ou de não ter
nenhum tempo mais
como há tempos atrás
em que o tempo era demais
e hoje, escasso,
hora não mais se faz
a tempo.

Porém ainda há tempo
tempo de amar
sorrir, sofrer
aprender
tempo de querer
um tempo a mais
um átimo que seja
oportunidade benfazeja
nessa vida que se esvai. . .


Rosane Silveira & J.L. Semeador de Poesias

segunda-feira, 29 de março de 2010

Estejamos atentos


Estejamos atentos


Dirijam vossos olhos
para o que é bom
que vossas bocas pronunciem
palavras de amor
e seus corações estejam
impregnados do amor fraternal

Que sejam vossos pés
firmes no andar
e vossas mãos livres
para ofertar ao irmão
necessitado tão somente de ser amado

Aquieta teus ouvidos
ao que não te convém
muitos falarão coisas que
não gostarás guarde em teu coração
só o que te acrescentar

Enfim, que vosso corpo seja luz
para os irmãos de caminhada
que vossa alma seja doce de um mel
inigualável para que possas cantar
a canção de paz no mundo.

Rosane Silveira

domingo, 28 de março de 2010

Quando Deus silencia


Quando Deus silencia

Um mar, uma canção,
um luar, noites
estreladas de outono
alguém compondo um poema

e...

em algum lugar
uma criança e sua boneca
sorrindo feliz
num parque a brincar

jovens enamorados
passeando de mãos dadas
eternizando o momento
conjugando o verbo amar

um ancião caminhando
à passos curtos, vai andando
pelas alamedas do tempo
com sua sabedoria infinda

é, nessas horas Deus silencia.

Rosane Silveira

quarta-feira, 24 de março de 2010

Perdas e tristezas


Perdas e tristezas

Estou deixando a tristeza me dominar
estou deixando as lágrimas me vencer
não estou conseguindo me levantar
sinto que vou esmorecer

as forças que tinha se foram
hoje nem sei de todos meus amores
sonhos ficaram lá trás
hoje nem me lembro mais

nem de ilusões hoje vivo
a realidade cruel se faz presente
então apenas sobrevivo
de sentimentos tardios
e mares bravios

tudo acontecendo
vida se rompendo
e eu me perdendo
de mim...

Rosane Silveira

Reinante


Reinante

E eu que pensei que
bastasse sentir amor
pra se sentir plena
reinante absoluta de minha paz
quão tola sou
ai que começa os problemas
as confusões e as dores
amar é complicado
martiriza a alma e aniquila
com o ser
pensamentos ficam tumultuados
e coração aos frangalhos
quando não se é correspondido
então - sobra solidão
sobra noites mal dormidas
manhãs sem sol e toda
uma tristeza que te acompanha
por todo o dia...
Hoje sou reinante absoluta
de meus questionamentos
de minha alma conturbada
preciso me reestruturar
me refazer me levantar
pra voltar.

Rosane Silveira

Desgoverna-me


Desgoverna-me

Desgoverna-me inteira
bambeia minhas pernas
com teus carinhos loucos
encosta tua boca em mim
me deixando assim
meio zonza

desgoverna-me inteira
com tua voz me pedindo mais
com teus olhos me fitando
enquanto me dispo pra ti
e te faço pleno, homem-amante

desgoverna-me indecentemente
e vorazmente enquanto me sugas
a boca e me morde o lábio

desgoverna-me constantemente
nesse desejo louco que envolve
a gente sempre que cruzamos
nosso olhar

desgoverna-me doce amante
que me espreita no canto da vida
no canto da rua, no canto da minha
sina de amar-te e desejar-te

desgoverna-me homem indecente
envolvente e quente que vem sobre
mim me deixando assim,
indecentemente tua, indecentemente
nua...

desgoverna-me...

Rosane Silveira

Fiz-te um poema triste


Fiz-te um poema triste

Fiz-te um poema essa noite
era um poema triste
que falava da solidão
e abandono

Fiz-te um poema triste essa noite
e na tristeza do poema estava
a desolação de me sentir perdida
longe de ti

Fiz-te um poema triste essa noite
com cara de poesia porém a tristeza
era visível nos olhos do poema

Fiz-te um poema triste essa noite
e nele deixei derramada toda dor
de te perder em meios aos versos
de um poema triste.

Rosane Silveira

A ironia da despedida


A ironia da despedida


Entre um aroma
e outro das flores
vou desfolhando
meus amores

Entre um sim e
um não dito
vou mesclando
um sorriso

entre a palavra
que ficou por ser dita
e a insanamente proferida
deixo minha saída

Entre tu e eu
não ficou nada
nem a despedida...

Rosane Silveira

terça-feira, 23 de março de 2010

Noites de outono


Orvalhos caem pelas pétalas das flores
nas noites frias de outono
um tom bucólico , dá beleza a noite
que sem ti se vai
calma e branda noite de amor
ao som das folhas caindo e dos vaga-lumes
que com um toque clareia
as folhas das flores que ainda restam
bendito seja o amor da noite outonal
que vivifica tudo a sua volta
dando luz, calor e cor ao mundo
antes triste, opaco e sem vida.
doce amor de outono
que não seja uma quimera
o amor que hoje vive
depois de tanta espera.

Rosane Silveira

Aconchego


Aconchegue-me junto a ti
minha alma cansada de vagar
por um mundo de ilusões
onde os amores são vãos

aconchegue-me junto a ti
e me fale de coisas boas
da alegria de dançar na chuva
de um lindo por do sol

aconchegue-me junto a ti
e fale manso ao meu ouvido
palavras de amor vindo
do teu coração

aconchegue-me junto a ti
e deixe teu corpo pousar
ao meu lado num abraço
terno depois do amor feito

aconchegue-me junto a ti
nesse encontro único, sereno
pleno de sentimento onde
o amor maior é o fundamento.

aconchegue-te a mim e fique
por pouco ou muito tempo...
mas só te peço aconchegue-te
agora, vem de pressa sem demora.

Rosane Silveira

Auto-crítica


Quanto mais me conheço
menos me entendo
vislumbro incertezas dentro
do túnel de mim
aniquilo vez por outra com meus sonhos
sou assim...
minha irmã a auto-crítica
me acompanha todos os dias
minha amiga inseparável que se torna
vez ou outra minha pior inimiga
faço dela meu ponto de sensatez
me esquivo de vez em quando
mas sempre volto pro meu abandono
de ver no espelho a auto-crítica me apontando.

Rosane Silveira

quarta-feira, 17 de março de 2010

Caminho do amor


Caminho do amor


Eu sei que vou me perder
em algum momento de minha vida
em algum novo andar
eu vou seguir por um caminho nunca antes ido

Irei ter um caminho de sonhos bons,
de paz após tempestade
de melodioso cantar de pássaros
eu vou seguir, sem pressa de voltar

Eu vou seguir e esse caminhar será sereno,
leve, onde me sentirei flutuando
em nuvens de suaves matizes contrastando
com um céu azul nunca visto

Tentarei parar esse caminhar, acharei que
me perderei, indecisões em algumas bifurcações
e eu, sem saber onde ir continuarei caminhando
sentindo em mim alegria infinda e certeza da chegada

Que caminho percorrerei?
Por quais lugares andarei
Você não sabe? eu te direi
andarei por um caminho que me levará a ti meu amor.

Rosane Silveira

domingo, 14 de março de 2010

Oração da alma



Ò Deus de infinita bondade
dai-me um pouco de tua grandeza
só o suficiente pra que a vaidade
não me entorpeça

Agrega a mim um pouco de compaixão
pra que eu possa
auxiliar o meu irmão
estendendo minha mão

Cega meus olhos a toda inveja
dai-me tão somente o que mereço
talvez um pouco do teu amor
mesmo eu sendo assim tão travesso

A minha boca, cala Senhor
quando eu for um caluniador
que eu lembre de ti que me aceitou
assim tão pequeno como estou

Enfim Deus de compaixão
que eu sempre em oração
evolua sempre e mais
caminhando em tua paz.

Rosane Silveira

sábado, 13 de março de 2010

Desejos





Tuas mãos tateiam meu corpo
sinto um leve torpor na alma
tua pele a roçar a minha
despertando em mim meus desejos mais íntimos
sentindo tua voz a me embriagar de paixão
delírios e desejos percorrem todo meu corpo
enquanto me tocas e te sinto...
presente...forte e firme
mesmo estando ausente.

Rosane Silveira

Sinta-me tua


Sinta-me tua...

Sinta-me tua
sinta minha pele sendo suavizada
pelos toques de tuas mãos
sedentas de mim

Sinta-me tua
sinta a paz invadindo minha alma
sendo transportada pra um mundo
de sonhos

Sinta-me tua
meu corpo sendo possuido
meus desejos mais reprimidos
sendo expostos à prova

Sinta-me tua
o teu amor me envolvendo
teu desejo me corroendo
e tudo se resumindo nesse momento

Sinta-me tua
que te sentirei meu
teus sentimentos serão entregues a mim
quando me possuires.

Rosane Silveira

Abandono-me


Abandono-me


Abandono-me em teus braços
na certeza de que neles encontrarei
repouso necessário pra um amor pleno
livre de amarras e preso em teus desejos
Abandono-me em teu corpo
e deleito-me em teu prazer,
feliz, menina e feminina
Abandono-me em teus sentimentos
eles nunca serão meu tormento
Abandono-me em ti inteiro e pleno
belo e sereno...

Rosane Silveira

Tempo


Escrevo, reescrevo
invento, reinvento uma história
que poderia ser tua, minha
nossa...de todos
tempo vago, que passou
não volta mais
tempo vão, tempo são
tempo doido e moido pelo tempo
pelo desperdicio de mim, de ti
de nós...de tempo
tempo de lamento, tempo de sofrimento
tempo de dor, tempo de amor
tempo de remodelar, de remontar trajetos
projetos...vidas
de sentimentos e por que não de tempo.
Tempo...doce tempo
temos todo tempo do mundo
tempo...lamento tempo.
tempo...vida tempo!!!

Rosane Silveira

Promessas...


E o que houve de todo aquele amor
que foi meu...
de todas as belas palavras proferidas
entre beijos e afagos
carinhos trocados, desejos que não foram reprimidos
amores sentidos...
O que houve daquelas noites insones em que me buscavas
no escuro de ti e me achavas
O que houve dos nossos momentos...
ficaram pra sempre no escuro da noite
no porão da inconsequência,
das palavras proferidas sem pensar
do descaso de um amor corroido pela rotina
de amar demais sem ser amado.
Ficou lá no fundo de nós mesmos
que hoje não somos
mais quem pensávamos ser.
Ficou dentro de mim...
dentro de ti
ficou bem lá trás
que hoje já não se conhece mais.

Rosane Silveira

Contemple-se


Contemple a ti mesmo
contemple o sol, as estrelas, o mar, o luar
contemple-se como um ser único com amor maior, com desapego e paixão
crie em ti oportunidades de ser feliz, faça valer a pena cada esforço feito por ti nessa empreitada
ajuda-te nesse momento em que vives o tormento da solidão
aquieta teu coração desarvorado e triste
vá além bem além de tuas expectativas, grite aos quatro ventos tua verdade e tua vontade de ser feliz e principalmente teu direito.
Sê forte, corajoso, desprovido de paixões efêmeras e fulgazes.
Espera...
dê tempo do teu coração aquietar pra poder ouvir a voz de Deus suave sussurrando em teus ouvidos o quão importante tu és.
Faça o teu dia de hoje valer a pena.
Aquieta-te, contemple-se e ame-se.

Rosane Silveira

Medo...só medo

Sabe o que eu tenho medo?
de me perder de mim
mais do que me perdi
de me frustrar com minhas frustrações
mais do que ja me frustrei
de chorar um dia
e nao conseguir parar mais
Sabe do que tenho medo
da dor da perda e sentir ela
o resto da vida
tenho medo tambem do escuro
da noite
e mais ainda da escuridao
dos meus dias tristes
tenho medo tambem da ideia
de sentir medo
e quao cruel possa ser
esse medo...
Sabe do que tenho medo
de deixar de sentir medo
e me acomodar
com as minhas perdas
com as frustrações
com minhas lágrimas
com o escuro do dia...

Rosane Silveira

Um pedido de amor

Guarde contigo minha alma
e meu tormento
guarde também meu lamento
deixe-me aquietar desse amor
que me deixa sem tino e sem destino
Guarda contigo meus momentos,
aqueles em que me pego pensando em ti
guarde contigo o meu melhor lado
as minhas lágrimas de alegria
de contentamento
deixe comigo o que sou de pior
minhas dores, minhas queixas
meu pior lado...meu lado negro
Atenha-te somente no que eu tiver de melhor
fica com minha vida...
meu sentimento...
meus momentos...
fica comigo.

Rosane Silveira

Desabafo da alma

Tento em vão vislumbrar meu reflexo no espelho
Não me vejo, vejo uma massa humana de tormentos
Lamentos e dores...
Dói ver-me assim,chego a sentir pena de mim
Chego a sentir pena da minha dor e da minha solidão
Não quero mais isso
Não quero mais chorar
Não quero mais imaginar que o mundo inteiro é feliz...
Egoisticamente pressuponho ser a única que tem tristeza no olhar.
Que tenho tristeza na voz que cala absurdamente diante do que sinto
Que tenho tristeza no meu andar vacilante pelas
Ruas em busca de não sei o quê...
Mas sei estar lá em algum lugar...
só me falta encontrar...
Ou estará dentro de mim?

Rosane Silveira

Desejos

Meus desejos mais intensos
são aqueles que ficam escondidos até de mim
tenho medo do que possa vir a ser revelado
quando me dispuser à colocá-los em prática
tenho medo de que uma mulher que não conheço
nasça junto com eles
e essa mulher seja tão intensa, tão sedutoramente louca
que coloque por terra tudo o que pensei ser até hoje
tenho medo de que descubra esse tempo todo
que não fui quem pensara ser.
Tenho medo...
pois terei que me redescobrir
pois será alguém que eu nunca conheci
mas com certeza é alguém que está quebrando a casca
e querendo nascer logo...
antes que se concretize em mim...o fim.

Rosane Silveira

Quando o tempo passar

Quero que quando o tempo passar
e com ele minha mocidade
eu seja minha melhor aliada
e minhas palavras minha melhor
forma de expressão
quero que quando o tempo passar
eu não tenha medo e sim planos
e que o desencanto não seja muito...
apenas o suficiente pra me fazer pensar
quero que quando o tempo passar
eu possa vislumbrar ainda um futuro
mesmo que incerto
quero que quando o tempo passar
eu tenha um amor que me sustente na dor
quero que quando o tempo passar
a vida tenha sido plena e
mesmo que tempestiva, e eu
sedenta de vida...
ainda irei querer viver mais
quando o tempo passar.

Rosane Silveira

sexta-feira, 12 de março de 2010

Dança do acasalamento


Dança do acasalamento



Fiquei meio reticente ao começar esse artigo. Antes de deixar aqui minhas impressões pessoais à cerca do que será exposto fui em busca de bases sólidas de informações para tal constatação: os livros.
Revirei páginas e mais páginas em busca de alguma afirmação contrária que jogasse por terra a minha idéia em prosseguir.
Acho que era um receio íntimo do que minhas impressões irão causar a quem me ler. No entanto, me sinto na necessidade de continuar.
Tenho observado com o correr dos anos, o “correr” assustador de informações, inovações à cerca do corre-corre diário o que existe mesmo que inconscientemente, mudanças comportamentais no indivíduo.
A globalização de mundos expandiu os espaços físicos entre as pessoas. O que antes era “nosso” agora é compartilhado com o mundo.
Em meio a toda essa gama de informações está o ser vivo, o “bicho homem” que em meio a essa expansão se sente perdido, e o pior, todos os dias é desafiado a prosseguir, mesmo sem saber para onde vão.
Estamos em crise, eu afirmo. Crise de identidade, crise de entendimento de si mesmo e principalmente crise de entendimento do outro, definitivamente não nos entendemos mais. Estaríamos vivendo em uma torre de babel?
O que falta para trazermos de volta todo lirismo do relacionamento a dois?
Essa vida corrida onde tudo tem que ser resolvidos com a mesma velocidade que a velocidade da luz nos deixou fugazes, práticos e porque não insensíveis.
Aquela coisa da conquista, de ficar dias conversando, se conhecendo, diria até vulgarmente falando a “dança do acasalamento” não existe mais, o cortejo sereno quase que inocente.
Estaria eu sendo excessivamente romântica?
Até que alguns diriam: aquela ali parou no tempo.
Pode ser. Mas convenhamos é maravilhoso aquele namoro no portão, aquela época em que um olhar traduzia todo um sentimento.
E o que fazer em meio a essa nova forma do “amor prático?” Nos adaptarmos jogando por terra nossos dogmas e preceitos ou tentarmos a todo custo reverter esse quadro caótico do relacionamento e trazer de volta os áureos tempos.
Esse desenfreado de andar do tempo trouxe junto com ele três leões vorazes: a solidão, a tristeza e a dor.
Tenho observado pessoas falando sempre a mesma coisa: estou só
Em sentidos práticos ouvi muitas dizerem: quando vamos para a cama no primeiro encontro somos consideradas “fáceis” se não vamos, colocando em prática o plano do conhecimento do outro, ou como falei anteriormente a “dança do acasalamento” eles caem fora no segundo passo da dança. Diria até que alguns nem tem tempo para a conquista de almas, como desbravadores vorazes querem tão somente a conquista de corpos. A alma bela, sensível e inteligente da mulher que se lixe.
E o que fazermos diante dessa queda de braço? Deixar-se levar pela mão da solidão ou se adaptar aos novos mecanismos de um relacionamento volúvel e sem muitas possibilidades de chegar ao segundo passo da dança?
Eu particularmente ainda acho viável continuarmos tentando, quem sabe um dia chegaremos ao final da dança felizes e com a certeza de que valeu a pena a espera e a conquista de um bom par para a dança do acasalamento.

Rosane Silveira

(proteja os direitos da autora)

quinta-feira, 4 de março de 2010


Vitrais

Tão languidamente fui vendo-te ir
por trás daquela porta furta-cor
te vi sorrindo meio sem jeito
olhos marejados de uma dor cortante

e por detrás dos vitrais
dos meus sonhos, vi-te retorcido
tanto quanto tudo o que restou
cacos de um amor imenso que acabou
deixando-me assim envolvida em meus ais

Acolheu-me a tristeza de forma amiga
deu-me alento e até um pouco de paz
em meio a sensação angustiante
de ver-te indo por detrás dos vitrais.

Rosane Silveira

segunda-feira, 1 de março de 2010


Inpira-me

preciso de algo urgente que me inspire
pode ser qualquer coisa, um barco ao longe
um aceno do mar
ou mesmo o sol e o luar

preciso de algo urgente que
me tire dessa tristeza sem fim
e leve essa dor de mim

por favor inspira-me
traga contigo o calor
a sede e a fome de amor
e venha sem demora traga tudo o que puder

inspira-me...
mas venha depressa
não deixe eu esmorecer em mim
com essa dor sem fim

venha...inspira-me
ou expirarei no prazo de perder-te
sem ao menos antes ter-te
inspira-me.

Rosane Silveira

domingo, 28 de fevereiro de 2010


Tua chegada

Grito o meu grito de amor
nessa noite que começa ausente de ti
viajo em pensamentos que me levam a lugares
antes nunca idos
aquieto minha alma tentando ouvir teu chamado
ouço ao longe o barulho
dos ventos me trazendo teu recado
ja vou meu amor, me espere
é o tempo chegado
do encontro enfim almejado
desde outrora
falas-me ao ouvido mesmo que distante
que ora ou outra chora
a saudade doída desse amor verdadeiro
que é de outras vidas
desde o instante primeiro
deixe em mim a certeza que virás
mande um pássaro correndo me contar
tenho razões pra acreditar
que não vai tardar
a tua chegada.

Rosane Silveira

sábado, 27 de fevereiro de 2010


Apenas um fragmento


Não posso dizer-te o que ainda não sei...
tenho medo de proferir alguma palavra que lance no ar dúvidas ou deixe respostas que ainda não posso dar nem a mim mesma, por isso que temo pelo que escrevo tenho medo do que o que escrevo vá causar as pessoas.
Preciso às vezes parar de escrever um pouco pra por meu coração em repouso, deixar as amarguras da vida passar e o amor voltar aos poucos à minhas mãos e em meu coração. Tenho medo do que venha a escrever me coloque em xeque-mate com a vida e com meu próximo.
Mas mesmo com esse medo, sigo escrevendo mesmo assim, quem sabe eu não consiga enfim abalar meus alicerces e quebrar a pessoa que sou e construir outra melhor.

Rosane Silveira

O AMOR E A ESPERA


Hoje o amor se fez presente
ele quase sorriu pra mim
chegou na fresta da porta
quase entrou enfim

Falou-me baixinho do inevitável encontro
entre dois corações sofridos
disse-me que seria feliz
e que não haveria mais momentos doídos

Sentei-me então na soleira da porta
na esperança de que o amor esteja certo
ele veio rapidinho, plantou a esperança
e saiu em desarvorada pressa

Ao encontro da outra metade, minha quimera
pra falar-lhe ao ouvido com carinho
da minha atordoante espera
quisera que ele voltasse rapidinho

e trouxesse com ele meu destino
minha alegria enfim tão esperada
esse amor que vive em mim em desatino
enfim terá uma morada.

Rosane Silveira

Seduza-me

Seduza-me ao desfolhar no vento
teus pensamentos
deixando em linhas sóbrias ou não
os nossos momentos

Seduza-me com um poema pequeno
que fale do amor no momento
da noite passada
e do futuro incerto

seduza-se falando de amor no ouvido
em forma de poesia e vida
dizendo a mim o que nem você acredita

seduza-me mas venha por inteiro
deixe o poema no espelho
e pregue no armário um pedaço de papel
me dizendo do amor que tens e que me és fiel.

Rosane Silveira
(proteja os direitos autorais)

Lançando no Abismo

Há no ar
Um quê de solidão
Uma inexplicável ausência de mim
de ti
do mundo
Um quê de dor latente que corrói a alma
como o zinabre corrói o cobre
Julgo-me impotente diante da vida
carente, ausente e desprovida
de sentimentos nobres
tenho medo
dor
choro na alma
tenho sensações de abandono
de pressa
sentimentos misturados e conturbados
que me inibem e me levam ao abismo de mim
construindo muros altos quase intransponíveis
Faço meu forte, minha armadura, meu elmo
essa sou eu:
um precipício de mim
um abismo ambíguo e solitário
onde a solidão se alia a mim e me joga
no abismo do mundo.

Rosane Silveira
(proteja os direitos autorais)

O beijo que te dou


Faz-me um carinho meu amor
deixe em mim teu perfume
tua pele macia me embriaga
encosta tua mão
e deixe ela ficar
sinta a minha pele quente a envolver
delicie-se no prazer de me querer
envaidecida por teu amor
deixarei me levar
e me perderei em teu olhar
aquieta-te junto a mim
fique assim...
deixe o vento sussurrar palavras de amor
deixe o sol irradiar todo teu calor
e por fim
alimenta-te
do beijo que te dou.

Rosane Silveira
(proteja os direitos autorais)

Tomara


Tomara que um dia
eu consiga esquecer de ti
Como esqueci de mim
Tomara que um dia
minha alma possa chorar dores reais
Ao invés das imagináveis causadas por ti
Tomara que um dia
eu possa olhar pra trás e não ver nada
Além do que uma névoa de tristeza
pelo sentimento a ti dedicado
E não aproveitado
Tomara
Tomara que eu consiga tirar de mim
essa mágoa que está em meu coração
Que parece que minha alma vai transmutar
De dor e tristeza pelo abandono
tão sumariamente anunciado
Tomara
Tomara que tu te vais sem deixar marcas maiores
Pelo desamor
A não ser as marcas já deixadas de tristeza e lamento.
Tomara...


Rosane Silveira


Sentimentos




Quem poderia definir com precisão tal sentimento
que nasceu sem que esperássemos,
que veio como um furacão
deixando nossas vidas assim em desalinho...
quem poderia supor que seria mais forte que nós,
que desbravaríamos lugares
jamais estado ou imagino existir...
como poderíamos supor...
bem sabemos
nem eu, nem tu,
muito menos os outros...
ninguem poderia supor
mas aconteceu... e esse sentimento vibra em nós
e se torna parte de nós
latente como uma ferida aberta
ele queima e arde... pulsa
e nada podemos fazer...NADA
a não ser nos entregarmos de corpo e alma
a tal emoção desenfreada
que nos tira do sério e nos torna quem somos...
dois seres em uma vibrante aventura
rumo ao amor maior...o amor em nós mesmos.

Rosane Silveira

Acabou

e nosso amor foi indo,
e ficando apenas nós e os risos amarelos
as frases inteiras foram dando lugares
as meias palavras, foi
meio que desaparecendo os desejos,
as vontades, os pormenores,
as vozes...sumindo...
indo...
consegues ver luz..onde só sombras estão hospedadas
e fazem morada..
só silêncio, um eco silencioso
quase um grito no silêncio de nossas palavras
porém um risco de voz...ainda teima..
repercute...sonolento...inaudível...
acabou.

Rosane Silveira

Poema contente

Hoje farei diferente,
farei um poema contente
rirei com as palavras
e falarei de amor a toda gente

Hoje farei diferente
chorarei de rir
e vou deixar o vento me levar
sem querer saber onde ir

Hoje farei diferente
silenciarei diante do meu amor
deixarei que meus olhos falem
e sequer falarei de dor

Hoje farei diferente
mas um diferente igual a toda gente
farei um poema que fale em quase rimas
ou que se cale deixando o coração falar o que sente


E, depois de fazer feliz um poema contente
direi a ti meu querido, o que todo mundo sabe
mas nem todo mundo sente
é o teu amor por mim é que me faz contente.

ROSANE SILVEIRA

Poema Irracional



Se já não bastasse a incansável busca
em mim em compor um poema em letras pequenas
com rimas trovas e versos,
ainda tem em mim um coração machucado
dores por todos os lados
tento compor versos felizes
deixo rastros de um amor mal resolvido
querências sem fim
sem mim e desprovida de ti
falo-te quase num sussurro nessas letras minhas
do amor que te tenho e do sonho que acabou
quase não agüento o tormento
e o silêncio que a solidão traz
nada, nada digo
nada te peço
apenas que deixe que minha alma
leve palavras que parecem absurdamente
desproporcional nesse poema irracional.

Rosane Silveira

Por ainda dizer-te amor

Preciso falar-te do meu amor
daquelas vezes em que tu estavas tristes
e eu te consolei dando-te o bálsamo
pras tuas dores

Preciso falar-te do meu amor
daqueles momentos em que
tu te aconchegavas a mim em oração
e lágrimas brotaram dos olhos teus

Preciso falar-te do meu amor
das muitas vezes em que você sorriu
ao ver o riso solto
do filho teu

Preciso falar-te do meu amor
de quando a um pedinte
destes o pão necessário
pra amenizar sua dor

Preciso falar-te do meu amor
daquele amor que tanto procuras
pelas ruas escuras
e estais ai dentro de ti

Preciso falar-te do meu amor
amor que te move e que
move o mundo em que vives
o meu amor por ti, filho amado.



Rosane Silveira


A tristeza dos olhos teus

Sinto em mim a tua dor
triste lamento de um sofredor
aquieta-te nesse momento
de desalento

Vivifica em ti o amor
consolo do firmamento
sente sobre ti os olhos
do Mestre amado

Faça uma prece ao bem aventurado
diga-lhe o que te aflige ou fique calado
todo amor será sobre ti
derramado

e por fim, aquieta-te nos braços
de Deus esperando ser tão
somente abençoado.

Rosane Silveira

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010


Pra falar de amor







Pra falar de amor
Não precisa ser poeta
nem doutor
Pra falar de amor
Não precisa ter simetria
nem entender de rimas
Pra falar de amor
Basta falar com a alma
Encantar-se com o canto do pássaro
Com a primavera em flor
Pra falar de amor
Basta olhar o outono em festa
Não olhar pela fresta da vida
E sim escancarar a porta da alma
Pra falar de amor
Basta encostar o ouvido no seio da terra
E ouvir seu clamor
Pra falar de amor...

Rosane Silveira